Alunos do secundário participam em projeto de descoberta de antibióticos 14 de Janeiro de 2016 Dois alunos de duas escolas secundárias de Coimbra vão participar no NOMORFILM, um projeto europeu de investigação que pretende descobrir antibióticos produzidos por microalgas para combater infeções hospitalares, anunciou hoje a Universidade de Coimbra (UC). A participação dos estudantes do ensino secundário surge na sequência de um concurso lançado para o efeito naquelas duas escolas pela Algoteca da UC, que é parceira do projeto que envolve 15 países e tem um orçamento global de sete milhões de euros. Os vencedores do concurso serão conhecidos no sábado, durante uma sessão, às 11:00, no Museu da Ciência da UC, onde, na mesma altura, é inaugurada uma exposição com os dez melhores trabalhos. O prémio proporciona aos vencedores «vestirem a pele de cientistas», participando, durante 15 horas, nos trabalhos de investigação do NOMORFILM, que decorrem nos laboratórios da Algoteca. Os dois alunos premiados irão, designadamente, «cultivar algas» e «produzir extratos dos seus compostos para posterior identificação de moléculas antibacterianas». O projeto NOMORFILM, que é financiado pelo programa comunitário Horizonte 2020, teve início em abril de 2015, sob a coordenação geral do Instituto de Saúde Global de Barcelona. A equipa da UC é composta por sete investigadores, liderada por Lília Santos, docente e responsável pela Algoteca (ACOI), infraestrutura de investigação do Departamento de Ciências da Vida, onde se «desenvolve trabalho científico e pedagógico na área das microalgas e que inclui a maior coleção de culturas vivas destes organismos». O grande objetivo desta investigação é «descobrir moléculas produzidas por microalgas que possam combater de forma eficaz as infeções hospitalares, nomeadamente as infeções causadas por biofilmes que se desenvolvem em implantes médicos (próteses, por exemplo), levando à rejeição dos dispositivos, com custos muito elevados», refere a UC, numa nota, citada pela “Lusa”. Um biofilme é uma espécie de “camada biológica” que se forma «em torno dos implantes resultante do desenvolvimento e proliferação de micro-organismos, como bactérias e fungos, que causam infeção, podendo conduzir à rejeição do implante», explica Lília Santos. «Com o aumento da resistência das bactérias aos antibióticos disponíveis no mercado, é urgente encontrar alternativas eficazes e estamos a tentar descobrir antibióticos derivados de algas, mas temos um trabalho gigantesco pela frente», conclui a investigadora. |